quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Monumento Votivo Brasileiro | Pistoia | Toscana | Álbum de Fotos II

O Brasil "entrou" na Segunda Guerra Mundial em 22/08/1942 junto com os aliados, depois que alguns navios mercantes brasileiros foram afundados por submarinos alemães. Mas apenas em março de 1944 o Exército Brasileiro participou diretamente da guerra enviando um primeiro grupo de soldados da Força Expedicionária Brasileira "FEB" a Nápoles de onde foram transportados por via marítima para Livorno e depois lutaram na frente da Linha Gótica nas imediações dos Apeninos Tosco-Emilianos, nas montanhas entre o Estado da Toscana e Emilia-Romagna.
Dos 25.334 soldados que deixaram o Brasil para lutar na Europa, 467 não voltaram, tombaram em combate na região central da Itália, onde se travaram inúmeras batalhas sangrentas entre as tropas brasileiras e tropas nazistas que controlavam a área.
Em memória a estes heróis nacionais, foi fundado em 1945 nas cercanias da cidade toscana de Pistoia, um cemitério militar; depois que nossos mortos voltaram ao Brasil, foi construído o Monumento Votivo Brasileiro.
É belíssimo como poderá ser observado nas fotos. A história está viva no local, a emoção toma conta só de lembrar desses soldados que deram as suas vidas para ajudar aos italianos; "é forte Brasil!".
O munumento foi projeto do arquiteto Olavo Redig de Campos, discípulo de Oscar Niemayer, auxiliado pelo engenheiro italiano Luigi Cafiero.
A inauguração aconteceu em 07/06/1966, na presenças das mais altas autoridades brasileiras e também italianas que prestigiaram a cerimônia.
É caracterizado por uma grande avenida pavimentada com mármore gravados com os locais das batalhas da luta contra os nazistas.

"Tombados, mas nem vencidos e muito menos esquecidos!"
Um jardim incrívelmente lindo!
"Túmulo do Soldado Desconhecido"
Um extenso muro de pedra emergindo do espelho d'água com os nomes dos nossos heróis
"Esta terra sagrada foi sepultura dos soldados brasileiros mortos no campo de honra pela dignidade da pessoa humana. Seus nomes estão gravados nesta pedra para eterna memória dos homens".
As lápides com o nome de cada soldado mantem o registro de onde cada corpo foi enterrado e se manteve antes de ser transladado para o Brasil
Olhando o muro, a esplanada de mármore, onde se elevam a pira de chama perene, e o altar
Vista do Cemitério de San Rocco ao lado do Monumento Votivo
Chiesa di Santa Maria Assunta di San Rocco  (Igreja de Santa Maria Assunta)
O administrador do Monumento é  Mario Pereira, filho do Sargento Miguel Pereira. Li uma linda história de amor dos pais dele no www.anvfeb.com.br, colocarei uma pedacinho aqui:
"O sargento Miguel Pereira conheceu a jovem Giuliana Menechini, quando tinha 27 anos em 1944 durante a guerra, a instalar uma antena de rádio-comunicação militar nas imediações da casa onde ela vivia na época, nesta mesma região da Toscana. Foi amor à primeira vista e ambos se apaixonaram, mas com o fim da guerra, o Sargento Miguel Pereira teve que voltar ao Brasil com as tropas onde servia e, portanto, separaram-se.
Os pais de Giuliana, que na época tinha 17 anos, não permitiram que sua filha viajasse ao Brasil junto com outras 54 mulheres italianas que haviam se apaixonado e  se ligado aos soldados brasileiros que serviam na região.
Mesmo à distancia, os dois decidiram se casar por procuração, mas não demorou muito para que os altos oficiais expedicionários com quem Miguel tinha servido no campo de batalha na Europa se sensibilizassem com o fato e convidaram o Sargento a retornar à Itália para ser o guardião do Cemitério Militar Brasileiro em Pistoia, logo após o fim da guerra.
Desse encontro, nasceu Mario que é um profundo conhecedor dos assuntos ligados ao Brasil em solo italiano".
Mais dois pontos me chamaram a atenção:
1. O símbolo da FEB - Uma cobra fumando, uma resposta irônica, para aqueles que, no Brasil, diziam que era mais fácil ver uma cobra fumando um cachimbo, que um brasileiro lutar na Segunda Guerra Mundial.
2. Sobre um acidente de avião com os restos mortais dos soldados em uma escala em Lisboa em meados de 1960. O avião derrapou na pista, perdeu uma asa, incendiou... mas todos a saíram salvos.
O General Cordeiro de Farias que liderava a comissão, pediu outro avião ao Governo Brasileiro para terminar a viagem seguindo para o Brasil.
"Essa é uma história interessante, que mostra que  mesmo depois da guerra os pracinhas tiveram dificuldade para voltar para casa".
Fonte: Meio Século de Combate - Diálogo com Cordeiro de Farias - Aspásia Camargo e Walder de Góes.
Agradeço a Deus por ter nos levado mais uma vez à Itália, ao Gé, nosso guia turístico que nos apresentou o Monumento entre outras coisas pela Toscana.
Nosso passeio ainda não acabou!
Deus abençoe.

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