sábado, 31 de janeiro de 2015

"Musa Impassível" | Victor Brecheret | Pinacoteca do Estado de São Paulo

Em 1920, no enterro da poetisa Francisca Júlia, os futuros revolucionários da Semana de Arte Moderna que ali compareceram - Oswal de Andrade, Monotti del Picchia, Guilherme de Almeida, Martins Fontes, Paulo Setúbal, Ciro Costa (que falou à beira do túmulo) e Di Cavalcanti, entre outros, decidem homenageá-la com um mausoléu.
Estátua esculpida em mármore carrara por um dos grandes mestres do modernismo brasileiro. Inspirada no poema "Musa Impassível" de Francisca Júlia, tem 2.80 de altura e pesa 3 toneladas.
Foi redescoberta por acaso, em 1992, por Suzana Brecheret, filha do escultor, durante uma ida ao cemitério. Ao pesquisar, Sandra descobriu que foi o próprio Presidente Washington Luís quem pagou a Brecheret para fazer a estátua, num encontro em Paris.
Do Cemitério do Araçá em 2006 para a Pinacoteca com direito a restauração e exibição pública, eis a Musa Impassível, imponente e majestosa como se estivesse flutuando pelo museu.
Um luxo de estátua!
Deus abençoe.

Roberto Burle Marx: "Uma Vontade de Beleza" | Pinacoteca do Estado de São Paulo | Brasil

Filho de alemão, nascido em São Paulo em 1909, na "Villa Fortunato", palacete na Avenida Paulista, esquina com a Alameda Ministro Rocha Azevedo onde passou a sua infância. Em 1913 a família se mudou para o Rio de Janeiro; em 1928 para Berlim. Em 1930, de volta ao Brasil, passou a colecionar plantas topicais, ao mesmo tempo em que começou a frequentar a Escola Nacional de Belas Artes (ENBA) no Rio de Janeiro, onde teve professores como Portinari e Leo Putz. Também passa a integrar sua obra paisagística à arquitetura moderna, experimentando formas orgânicas e sinuosas na elaboração de seus projetos.
A partir de 1940 o paisagista Burle Marx assumiu proporções importantes enquanto o seu trabalho de pintura continuou a se desenvolver de modo bastante intenso e original. Segundo Giancarlo Hannud curador da exposição e da Pinacoteca de São Paulo: "Sua prática paisagística, caracterizada pela ordenação de formas, massas, cores e texturas sobre um dado espaço geográfico em estreita relação com sua topografia e flora nativa, sempre esteve intimamente ligada à sua atuação como pintor e vice versa".
A exposição reúne 80 obras entre pinturas, desenhos, cerâmicas, jóias e tapeçarias, além de seus estudos e projetos.
Desde moça, eu sempre gostei do trabalho do Burle Marx, na época quando havia algum programa na TV em que ele aparecia, que não eram muitos, sempre assistia. Era apaixonada pelos jardins do Burle Marx.
Um sonho de consumo: "quando cassasse, iria morar em uma casa enorme, com lindo jardim criado por ele". Sonhar pode!
A maior parte dos trabalhos explora o lado pintor do artista
Nanquim e tinta hidrocor sobre papel
Óleo sobre tela
No primeiro plano, desenho para a calçada de Copacabana 1970 - grafite sobre papel; ao fundo uma lindíssima tapeçaria
As jóias: Anéis; braceletes e colares em ouro e água marinha
Mãe do artista - Cecilia Burle, uma grande musicista pernambucana, romântica e lírica
"O Lucio Costa  dizia que o trabalho dele era um constante vai e vem entre a pintura, a jardinagem e o paisagismo. Não é que ele fazia uma pintura que era um jardim e um jardim que era pintura. Tudo acaba alimentando esse projeto moderno que era bem particular dele"
Até 22 de Março de 2015 a sua espera!
Deus abençoe.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Ron Mueck - Pinacoteca do Estado de São Paulo/Brasil

Praça da Luz, 2 - Estação Luz do Metrô
www.pinacoteca.org.br
Desde 20/11/2014 com longas filas e muito "bafafá" em volta da exposição,  Ron Mueck estreia na capital paulista com sucesso de público.
Artista australiano, conhecido por suas esculturas com diversos materiais, como fibra de vidro, resina, acrílico, a partir de um primeiro modelo em argila. Veias, unhas, pelos e outros detalhes são reproduzidos com perfeição. Algumas delas monumentais, de figuras humanas extremamente parecidas com a realidade, capazes de iludir o observador.
Filho de uma família alemã fabricante de brinquedos, desde criança conviveu com técnicas de criação e animação de bonecos, mas nunca teve uma formação artística tradicional. Passou anos com efeitos especiais e animações de personagens para televisão, cinema e publicidade. Começou a se dedicar a produção artística em 1990, após colaborar com sua sogra, Paula Rego, na produção de pequenas figuras para a exposição dessa artista em Londres.
Logo ao entrar na exposição, a primeira obra é "A deriva".
Não fosse pela alteração na escala, suas figuras poderiam ser confundidas com pessoas reais, mas são sempre maiores, ou menores que uma pessoa real.
"Mascara II"
Ron Mueck retrata o seu próprio rosto, ou seja, faz seu autorretrato, em dimensões ampliadas.
"Mulher com as compras"
A expressão desgastada da mulher e sua aparente indiferença em relação à criança que a encara; veja também as suas mãos, que não a tocam, ocupadas em carregar as compras.
"Natureza Morta"
Um gigantesco frango morto em seu pescoço a marca do corte que lhe tirou a vida. Com diferentes texturas de pele desse animal, bem como a flacidez dos músculos sem vida, bem distintos dos corpos humanos, muitas vezes tensos, produzidos pelo artista.
"Jovem casal"
Figuras que parecem congeladas em uma situação banal do cotidiano.
"Juventude"
O gesto da figura nos confronta com uma tensão explícita, a memória e uma violência física recente que é a ferida sangrando nas costelas de um jovem negro.
"Mulher com galhos"
Dependendo do ângulo do qual é vista, a figura parece nos olhar de volta.
"Homem em um barco"
Assim como a mulher com galhos, temos uma cena minuciosa e misteriosa: Um homem pequeno se apresenta nu na proa de um barco em tamanho natural, de braços cruzados, olhando com preocupação, seja lá o que for que vem pela frente.
Na última sala, o filme Natureza Morta: Ron Mueck trabalhando (2013). Nele, é possível acompanhar o vagaroso processo de produção do artista, isolado em seu ateliê, construindo suas obras em silêncio.
"Casal debaixo do guarda-sol"
"Eu nunca faço figuras no tamanho real, porque nunca me pareceu interessante. Nós conhecemos pessoas de tamanho real todos os dias" (Ron Mueck)
As obras do artista têm se mostrado envolventes e extremamente populares, principalmente com seu grau de semelhança com o real.
De terça a domingo das 10 h às 18 h, entrada até às 17:30 h.
Aproveite para dar uma volta pela Pinacoteca e admirar lindas obras de artes em outras salas!
Deus abençoe.