sábado, 6 de dezembro de 2014

Chineses em Prato | Itália

Ouvi falar muito sobre os chineses na Europa, especialmente em Prato. É notório a presença em massa. Literalmente invadiram o mundo, mas em Prato é impressionante. "Tem uma rua só deles"; além do comércio, restaurantes, mercadinhos, e com placas escritas em mandarim.
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Prato, a histórica capital têxtil e vestuário de Itália, atraiu em menos de 20 anos a maior concentração de empresas operadas por chineses na Europa. De certa forma, a comunidade chinesa de Prato teve sucesso onde as empresas italianas falharam. A economia italiana pouco cresceu ao longo da última década e está apenas a emergir da recessão, em parte devido à dificuldade de muitos pequenos fabricantes para acompanhar a concorrência global.
Dois terços dos chineses em Prato são imigrantes ilegais, segundo autoridades locais. Cerca de 90% das fábricas chinesas - praticamente todas estão arrendadas a empresários chineses por italianos que possuem edifícios - infringem a Lei de várias formas, conforme refere Aldo Milone, o vereador responsável pela segurança.
Entre as ilegalidades incluem-se a utilização de tecido contrabandeado da China, a fuga aos impostos e a violação grosseira das normas de saúde e trabalho. Um recente incêndio, que as autoridades suspeitam ter sido desencadeado por um fogão elétrico, matou sete trabalhadores que dormiam em cubículos de cartão em uma fábrica.
Os próprios responsáveis italianos reconhecem que não reprimiram de forma eficaz a proliferação do comportamento ilícito. O presidente da Câmara Municipal de Prato, Roberto Cenni, ele próprio empresário têxtil, chegou ao cargo em 2009 com promessa de limpara a região. Cenni revelou ter triplicado as inspeções desde então, mas apenas uma pequena fração das fábricas são monitorizadas regurlarmente. "Não temos meiosde lutar contra este sistema de ilegalidade", afirmou, justificando que Prato tem apenas dois inspetores laborais.
Em alguns casos as autoridades locais partilham a culpa. Piero, Tony, promotor principal de Prato, ordenou recentemente a prisão de 11 pessoas no espaço de um mês, incluindo um funcionário da Câmera Municipal, suspeito de emitir falsas autorizações de residência, ao preço de 600 a 1.500 euros cada, a mais de 300 imigrantes chineses desde maio. A maioria dos chineses de Prato vem de Wenzhou, uma cidade costeira da província de Zhejiang. Eles começaram a fluir da região em meados da década de 1990 para trabalhar em fábricas têxteis italianas e rapidamente dominaram toda a cadeia de produção.
Andrea Cavicchi, diretorlocal da Associação empresarial Confindustria (Confedererazione Generale dell'Industria italiana), explica que a entrada da China na Organização Mundial do Comércio, em 2001, soou o alerta da morte para muitos dos artesãos de vestuário de Prato, à medida que as barreiras comerciais da União Européia, que protegiam os seus produtores, foram gradualmente eliminadas.
Quando as empresas locais, especializadas em tecidos de alta qualidade, começaram a cortar postos de trabalho para competir com as importações estrangeiras mais baratas, os empresários chineses começaram a arrendar armazéns italianos abandonados para criar as suas fábricas. Aos poucos, os chineses de Prato ofereceram rapidez, eficiência e alta produtividade, que faltavam a muitas empresas italianas.
Agora esses chineses exportam milhões de peças de vestuário de baixo custo (uma camisa de algodão para mulher é vendida por menos de 2 euros, um casaco por 12 euros) para todo o continente com a etiqueta "made in Italy". A delegação da Confindustria em Prato estima que o negócio represente 2 milhões de euros por ano, ou seja, metade do volume de negócios dos produtores de têxteis italianos no distrito.
"Entre 2001 e 2011, a indústria têxtil italiana em Prato tem visto o seu volume de negócios e a sua força de trabalho diminuírem para a metade. Mas a realidade ´que não podemos culpar os chineses. O problema é que os nossos custos de trabalho e de energia significam que não conseguimos competir", argumenta Cavicchi. "A velocidade é fundamental. Em apenas três dias, eles podem fabricar milhares de peças de roupas".
A população está bem inteirada do assunto e não gosta nada disso...
Deus abençoe.

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